14.03.09
Carta de Renúncia do Presidente
Ao
Geraldo de Andrade Ribeiro Jr.
Secretário da ABRAJOF – Associação Brasileira de Jornalistas Filatélicos
ASSUNTO: Renúncia ao cargo de presidente da ABRAJOF e desligamento do quadro associativo
da mesma
Quando pretendi pleitear o cargo de presidente da ABRAJOF, conversei a respeito com o amigo Marcelo Motoyama, que já havia ocupado o cargo, indagando a ele se tal pretensão minha seria possível, e como agir para tal. Estranhei muito a resposta dele: “Converse com o Geraldo (de Andrade Ribeiro Jr.) e coloque as suas pretensões. Se ele aceitar, toque adiante o seu projeto. Se ele for contra, desista”. Estranhei muito aquela resposta, pois pensei que a ABRAJOF fosse uma entidade associativa, com todos os sócios podendo manifestar igualmente a sua opinião e desejos, nos casos de eleições. Mas, a vontade de assumir a presidência e poder fazer alguma coisa pela Filatelia Brasileira falou mais alta e lhe procurei.
Você aceitou o meu pedido e, na eleição seguinte, compôs uma chapa para a diretoria, ficando eu como presidente e os demais cargos distribuídos segundo sua determinação. Fomos eleitos e assumi a presidência na expectativa de poder desenvolver um bom trabalho na divulgação da Filatelia, finalidade principal dos associados de uma entidade que congrega os Jornalistas Filatélicos.
Meu encanto durou pouco: logo após a eleição, a primeira dificuldade foi não ter nem uma relação dos associados que compunham a entidade naquele momento. A relação passada pelo presidente anterior estava desatualizada e manuscrita, com dados imprecisos. A relação que você me passou era por demais confusa, com nomes de sócios em dia com suas contribuições e nomes de sócios atrasados com os pagamentos das anuidades. Neste último caso, havia duas “categorias”: os sócios que seriam cobrados, para colocar em dia seus pagamentos, e os sócios que seriam simplesmente excluídos do quadro associativo. Percebi que, para os seus amigos, haveria a cobrança e, para os seus desafetos, o cumprimento do estatuto, ou seja, estavam fora da entidade.
Em seguida, veio o problema da situação jurídica da entidade, pois o seu CNPJ está suspenso há vários anos, pela falta de declaração de imposto de renda. Comentei que deveríamos fazer alguma ação para levantar fundos e colocar em dia esta situação, mas você optou pelo meio mais fácil: encerra-se a conta bancária, com pagamentos de anuidades, a partir daí, somente em dinheiro ou com cheques nominais à FEFIESP (Federação das Entidades Filatélicas do Estado de São Paulo, a qual você preside), que seriam descontados pela FEFIESP e o correspondente valor entregue à ABRAJOF. Uma solução caseira, à “moda do Geraldo”.
Ao longo desses três anos, fiz várias tentativas de ingresso de novos associados na ABRAJOF, pois sempre entendi que, um jornalista filatélico, quando associado, sente orgulho por isso e se acha numa responsabilidade maior para com a divulgação da Filatelia. E sempre entendi, também, que quanto mais sócios tivéssemos, mais forte seria a entidade. Mas você, a cada novo associado que eu indicava, impunha dificuldades, me chamando a atenção para uma tal comissão que aprovaria os novos associados e que eu não poderia, mesmo sendo presidente, aceitar nenhum novo associado sem aprovação da tal comissão. E, estranho também, me indicou que eu não deveria convidar ninguém para ingressar na ABRAJOF, que os interessados é que deveriam nos procurar.
Num caso mais específico, o Sr. Clarisvaldo de Favre me procurou, comentando que já havia sido sócio da ABRAJOF e que gostaria de retornar. A sua resposta foi que precisaria verificar se o referido senhor estava atuando naquele momento no jornalismo filatélico. Oras bolas, então deveríamos verificar se, de fato, os atuais sócios também continuam atuando como jornalistas filatélicos.
Mas, a verdade precisa ser dita: a ABRAJOF tem um número muito reduzido de associados, dos quais boa parte você detém procurações para votar por eles nas assembléias. E, a cada novo sócio que eu apresentasse e ingressasse na entidade, diminuiria o seu “poder das procurações”. Eu nunca pensei nisso, pois jamais pediria uma procuração a algum associado, principalmente pelo fato, que sempre manifestei publicamente, de discordar do sistema de votação por procuração.
A confirmação final do que acabei de afirmar aconteceu por ocasião da Assembléia Geral de 2008, quando entreguei para você a ficha de inscrição com o respectivo pagamento da anuidade de quatro novos associados: José Francisco de Paula Sobrinho, Rosa Maria Bicalho, Luís Cláudio Fritzen e Fábio Serra Flosi.
Até hoje, um ano após a entrega das fichas, os nomes deles não aparecem na relação de associados do site da ABRAJOF e nenhum dos quatro recebeu qualquer correspondência sua, seja confirmando o ingresso na entidade e o respectivo recibo de pagamento da anuidade, seja recusando o ingresso com informação do motivo para tal.
Será que estas fichas estão engavetadas, pela coincidência dos quatro novos associados serem meus amigos e membros atuantes da FEFIBRA – Federação dos Filatelistas do Brasil? Tudo leva a crer que sim, principalmente pelo fato de, uma semana após a assembléia, eu receber um telefonema do Sr. Marcelo G. Studart, presidente da FEBRAF – Federação Brasileira de Filatelia, me questionando o que estava acontecendo na ABRAJOF, pois eu estaria no “olho de um furacão” (palavras dele, Sr. Sturdart), pelo fato de estar querendo entregar a ABRAJOF à FEFIBRA. Achei risível tal afirmação, por tão absurda que era, pois em momento algum desejaria isso. Apenas penso que uma entidade que congrega jornalistas filatélicos, deveria ter por objetivo maior o incentivo à divulgação da Filatelia, ficando de fora da batalha travada entre quaisquer instituições.
Para finalizar este assunto, me questiono o que foi feito dos R$ 120,00 (cento e vinte reais) referentes às anuidades dos quatro novos associados, uma vez que não foi confirmado o ingresso deles na entidade, nem foi devolvido a cada um o valor pago.
Logo após este fato, tivemos o Congresso Anual da FEBRAF, onde, como é sabido por todos os presentes, você travou seguidas discussões com o Reinaldo Macedo, nas quais me envolvi, ficando do lado do Reinaldo e contra você. Foi a gota d’água para que o nosso relacionamento deteriorasse, pois, apesar de você sempre falar em democracia, ela só existe quando todos concordam com a sua opinião.
A partir daí, em nenhum evento organizado pela FEBRAF, pela FEFIESP ou qualquer outra entidade sob o seu jugo, foi mencionado o apoio da ABRAJOF. Logicamente, eu estava sendo colocado na frigideira, pois, desde o início de 2008, já se comentava nos meios filatélicos que o novo presidente da entidade, a assumir agora em 2009, seria o Sérgio Marques da Silva. O Sérgio, aliás, por ocasião do Encontro Internacional de Filatelia (outubro/2008), me convidou para permanecer na nova diretoria, como vice-presidente, pedindo o meu apoio em seu mandato à frente da entidade, mas, por ocasião da Sulbrapex (novembro/2008) disse-me que meu nome não poderia estar como vice-presidente.
Fiquei, então, aguardando que, como presidente atual, pelo menos eu recebesse antecipadamente a composição da nova diretoria, mas só fiquei sabendo da mesma através do Edital de Convocação para a Assembléia Geral Ordinária, edital este sem valor legal algum, uma vez que quem deveria assina-lo seria eu, na condição de presidente, e você o fez “por procuração”, sendo que não lhe passei procuração alguma para assinar em meu nome neste caso. Ou seja, eu não assinei o Edital de Convocação.
Durante três anos, convivi e aceitei vários mandos e desmandos seus, inclusive seu sarcasmo em diversas ocasiões, dizendo que o Informativo da Filatelia77 passava pela “censura mineira”, numa alusão aos amigos que tenho na FEFIBRA, embora sempre tenha pautado meu Informativo na isenção e objetivo único de divulgar a nossa Filatelia.
Não aceitei o fato de você querer organizar, em 2008, uma exposição internacional de literatura filatélica, sem o apoio dos Correios. Com o apoio deles, tudo já é muito difícil e, sem esse apoio, é impossível mesmo. Você não queria aceitar meus argumentos e dizia que era viável. Ainda bem que desistiu, pois até mesmo a Nacional de Literatura, ocorrida em 2007 com o apoio dos Correios, quase ficou sem carimbo comemorativo, haja vista a negativa da FEBRAF em ceder um da sua cota anual. Não só o carimbo, como a imagem do mesmo, consegui graças às amizades que tenho dentro dos Correios, que você tanto critica.
Causou-me espanto também você querer, numa das exposições, homenagear os 60 anos do Clube Filatélico de São Paulo, clube este que, como é sabido pela comunidade filatélica, encerrou as atividades há alguns anos. Mas, em matéria de clubes fantasmas, você é especialista...
A gota d’água, e último assunto: o Prêmio Ângelo Zioni. Todos nós sabemos que a tal comissão de indicação deste prêmio é apenas pró-forma e que, na realidade, um jornalista é indicado para receber o prêmio e a tal comissão, se é que existe, apenas formaliza a indicação. Foi assim com o prêmio que entreguei em 2006, para o Carlos Roberto Favarão, que eu mesmo indiquei, numa justa homenagem ao seu trabalho, que, na época, compreendia colunas filatélicas em seis jornais diferentes (hoje já são quinze!). Pois bem, para 2007 ninguém foi indicado e, nem me causou espanto quando, já no final de 2008, como ninguém havia sido indicado para receber o Prêmio Ângelo Zioni 2007, você concedeu-o a si próprio. E ainda teve o “primor” de me mandar, por email, o discurso que você mesmo escreveu, para que eu lesse quando lhe entregasse o prêmio. Ou seja, em matéria de auto-promoção e megalomania, você é catedrático. E, para quem duvidar de tal fato, basta me pedir, pois tenho este email arquivado. O prêmio foi entregue durante o jantar de Palmarés da Sulbrapex 2008 e, somente para não passar por este constrangimento, optei por não participar do mesmo.
Por causa de tudo acima exposto, e mais alguns fatos que não têm a ver com a ABRAJOF, mas com a Filatelia Brasileira e suas entidades oficiais, concluo que você, Geraldo, se transformou no suserano dos órgãos que representam a nossa Filatelia e que eu não aceito mais ser um vassalo deste feudo. Então, registro aqui a minha renúncia, a partir desta data, 4 de março de 2009, ao cargo de presidente da ABRAJOF – Associação Brasileira de Jornalistas Filatélicos, assim como solicito, a partir desta mesma data, o meu desligamento do quadro associativo da mesma.
Observo que, a partir desta renúncia, o Edital de Convocação para Assembléia Geral Ordinária 2009, datado de 27 de fevereiro de 2009, supostamente enviado por mim aos associados, não tem valor algum, tanto por causa da renúncia, como por causa do fato de eu não ter assinado o mesmo.
Atenciosamente,
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JULIO CÉSAR RODRIGUES DE CASTRO

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